Quando criança, sempre que perguntado o que seria quando crescesse a resposta era uma só: bombeiro. Eu tinha vários carrinhos na cor vermelha e muitos imitando as viaturas dos bombeiros. O tempo passou, eu cresci, mas infelizmente não consegui entrar para o Corpo de Bombeiros Militar. Tornei-me professor de história.
Acredito que pelos valores que defendem e pela postura que possuem,. muitas crianças de hoje em dia ainda têm o mesmo desejo que um dia eu tive: de se tornarem bombeiros militar. Indiscutivelmente a instituição na qual a sociedade tem maior apreço e confiança. Mas que não valoriza.
Mas qual será a resposta que daremos às nossas crianças quando perguntarem sobre a remuneração que nossos herois recebem para tamanha responsabilidade? O que lhes dizer sobre a razão da prisão de 439 pessoas que só se preocupam em salvar vidas e patrimônios alheios os quais em sua maioria eles próprios não possuem?
Qual a explicação que daremos quando questionados do por que da maior autoridade do estado ter chamado pessoas que só se ocupam em diminuir a dor alheia de “vândalos”? Como explicar a inversão de valores que impera em nosso estado? Como explicar aos alunos o sentido do termo “sociedade democrática de direito”, se o governador é o primeiro a dar o mau exemplo de totalitarismo na forma de governar? Como explicar aos pequenos que democracia é o inverso daquilo que nosso governador pratica em relação ao funcionalismo público?
Queridos alunos e a todas às crianças do Rio de Janeiro e do Brasil: bombeiros não são vândalos e policiais não são maus. São homens e mulheres que assim como vocês sonham com dias melhores. Eles também têm filhos, irmãos, pais e são seres humanos iguais a vocês, mas são tratados como a escória da sociedade por essa mesma sociedade que defendem.
Aos filhos desses bombeiros toda a minha solidariedade. Sou apenas um professor, mas tenham a certeza de que a instituição que seus pais e mães representam está muita acima da minha própria, haja vista na educação faltar o essencial: consciência de classe. Não desanimem, nenhuma ditadura dura para sempre, e seus familiares deram uma lição à Polícia Militar, à Polícia Civil, a Educação e as demais instituições de Estado ao lhes ensinar na prática o sentido de classe e união.
Amanhã, segunda-feira, dia 6 de junho de 2011, minha aula vai ser diferente. Vou pedir um minuto de silêncio em todas as turmas em que eu entrar em solidariedade a esses herois que foram injusta e covardemente presos.
Vou dizer também, que heróis existem e são de carne e osso, mas eles não ocupam nenhum lugar especial como muitos imaginam além disso se vestem de vermelho, azul, cinza e preto. São nossos bombeiros e policiais militares e civis; Um brinde com guaraná aos heróis anônimos desse Brasil e em particular aos BRAVOS ZERO ZERO do Rio de Janeiro.
A luta continua
domingo, 5 de junho de 2011
O RIO MANCHADO DE VERMELHO Marcelo Adriano Nunes de Jesus.
Falar aqui do descaso do governo estadual em relação ao funcionalismo público e em particular daqueles que representam à “arraia-miúda” das diversas instituições de Estado seria redundante se em análise estive a forma de governar do senhor Sérgio Cabral e seu “staff”, o que não é o caso.
Mas não podemos deixar de mencionar que nenhuma oposição a seu governo é tolerada. Às chefias e comandos são dadas generosas gratificações para que mantenham a disciplina de seus subordinados para que estes não se rebelem contra os péssimos salários que recebem, mas aos que insistem em se opor, ou perdem a chefia e comando ou ainda correm o risco de responderem a inquéritos policiais, administrativos ou ambos. Essa é a forma de governar de Sérgio Cabral. A corrupção e o medo.
A título de ilustração, e que poucos sabem, é que na Alemanha Nazista cerca de 90% da população daquele país apoiava as atitudes de seu representante mor. Hoje se sabe que tal sucesso tinha por trás a propaganda de governo, assim como acontece no Rio de Janeiro de hoje, onde o PMDB de Cabral tem a seu lado as Organizações Globo que só veicula aquilo que é do seu interesse, ato bem característico dos sistemas fascistas de outrora, mas que nunca foram tão atuais em certos governos.
Aqui, os traficantes de drogas são avisados com antecedência das incursões policiais que objetivam a criação das Unidades de Polícia Pacificadora, as chamadas UPP’s. Desta feita, os marginais conseguem deixar seus esconderijos levando suas armas e drogas em total segurança.
Por outro lado, as coisas realmente relevantes e que deveriam ser levadas ao conhecimento público não o são por essa mesma mídia, como as péssimas condições de trabalho e salários dos servidores públicos, da má administração pública e de pessoas que deveriam estar na cadeia, e não chefiando pessoas.
Que a natureza e importância do trabalho dos bombeiros dispensa maiores comentários disso todos sabem e têm consciência. Mas infelizmente esses bravos combatentes foram abandonados à própria sorte pelo Estado. Além de covardemente agredidos, foram presos e humilhados como se marginais da mais alta periculosidade os fossem. Eram apenas pais e mães de família em busca da dignidade que lhes foi roubada.
Os bombeiros militares foram a única categoria que demonstrou organização e consciência de classe para se opor e enfrentar pacificamente o governo Sérgio Cabral. Não é à toa que carregam a marca de “herois” e destemidos, mas infelizmente foram recebidos à porrada pelo governo Sérgio Cabral.
Não vou aqui crucificar a Polícia Militar, pois bem sei de quão valorosa ela é, mas não posso deixar de consignar a covardia, a truculência e a maldade de um tal Coronel Milagres e alguns integrantes do Bope. Esse sujeito deveria ser processado na mais última instância da justiça por abuso de autoridade. Ademais, é um covarde e medroso, pois enquanto estava atrás da sua tropa – o BPChoque -, utilizou-se de spray de pimenta para lançar nos bombeiros que estavam sentados à sua frente e sem esboçar qualquer reação contra os policiais que faziam suas guardas. Foi uma agressão gratuita do comandante.
Agir dessa forma é fácil, coronel Milagres. Mas por que o senhor correu quando apenas um combatente foi em sua direção? A televisão mostrou a imagem. Ficou com medinho de apanhar? Onde está a sua valentia? A meu ver, coronel, um senhor é um covarde e um medroso, que só se sente homem e valente quando está com a sua tropa. Não me surpreenderia em saber que o senhor nunca tenha trocado tiros com vagabundos. O senhor tem o perfil de coronel de gabinete, que só sai às ruas para participar de fiscalizações da Lei Seca. Graças a Deus o senhor não representa a Polícia Militar, a qual possuo muitos amigos, desde soldados a coronéis, mas nenhum seguramente com o seu perfil. Mas não vou aqui perder meu tempo falando de uma pessoa tão desprezível quanto o senhor, isso eu deixo para a imprensa marrom. Meu objetivo aqui é infinitamente o seu oposto e o que o senhor representa enquanto ser humano.
O momento agora é de solidariedade. Liberdade ampla e irrestrita aos bombeiros militares presos. Chega de demagogia, Sérgio Cabral. Coloque professores bem remunerados nas salas de aula, remunere dignamente bombeiros, policiais e profissionais de saúde. O Rio de Janeiro não merece tanto descaso. Todos à rua em apoio aos bombeiros militares!!!
A luta continua
Mas não podemos deixar de mencionar que nenhuma oposição a seu governo é tolerada. Às chefias e comandos são dadas generosas gratificações para que mantenham a disciplina de seus subordinados para que estes não se rebelem contra os péssimos salários que recebem, mas aos que insistem em se opor, ou perdem a chefia e comando ou ainda correm o risco de responderem a inquéritos policiais, administrativos ou ambos. Essa é a forma de governar de Sérgio Cabral. A corrupção e o medo.
A título de ilustração, e que poucos sabem, é que na Alemanha Nazista cerca de 90% da população daquele país apoiava as atitudes de seu representante mor. Hoje se sabe que tal sucesso tinha por trás a propaganda de governo, assim como acontece no Rio de Janeiro de hoje, onde o PMDB de Cabral tem a seu lado as Organizações Globo que só veicula aquilo que é do seu interesse, ato bem característico dos sistemas fascistas de outrora, mas que nunca foram tão atuais em certos governos.
Aqui, os traficantes de drogas são avisados com antecedência das incursões policiais que objetivam a criação das Unidades de Polícia Pacificadora, as chamadas UPP’s. Desta feita, os marginais conseguem deixar seus esconderijos levando suas armas e drogas em total segurança.
Por outro lado, as coisas realmente relevantes e que deveriam ser levadas ao conhecimento público não o são por essa mesma mídia, como as péssimas condições de trabalho e salários dos servidores públicos, da má administração pública e de pessoas que deveriam estar na cadeia, e não chefiando pessoas.
Que a natureza e importância do trabalho dos bombeiros dispensa maiores comentários disso todos sabem e têm consciência. Mas infelizmente esses bravos combatentes foram abandonados à própria sorte pelo Estado. Além de covardemente agredidos, foram presos e humilhados como se marginais da mais alta periculosidade os fossem. Eram apenas pais e mães de família em busca da dignidade que lhes foi roubada.
Os bombeiros militares foram a única categoria que demonstrou organização e consciência de classe para se opor e enfrentar pacificamente o governo Sérgio Cabral. Não é à toa que carregam a marca de “herois” e destemidos, mas infelizmente foram recebidos à porrada pelo governo Sérgio Cabral.
Não vou aqui crucificar a Polícia Militar, pois bem sei de quão valorosa ela é, mas não posso deixar de consignar a covardia, a truculência e a maldade de um tal Coronel Milagres e alguns integrantes do Bope. Esse sujeito deveria ser processado na mais última instância da justiça por abuso de autoridade. Ademais, é um covarde e medroso, pois enquanto estava atrás da sua tropa – o BPChoque -, utilizou-se de spray de pimenta para lançar nos bombeiros que estavam sentados à sua frente e sem esboçar qualquer reação contra os policiais que faziam suas guardas. Foi uma agressão gratuita do comandante.
Agir dessa forma é fácil, coronel Milagres. Mas por que o senhor correu quando apenas um combatente foi em sua direção? A televisão mostrou a imagem. Ficou com medinho de apanhar? Onde está a sua valentia? A meu ver, coronel, um senhor é um covarde e um medroso, que só se sente homem e valente quando está com a sua tropa. Não me surpreenderia em saber que o senhor nunca tenha trocado tiros com vagabundos. O senhor tem o perfil de coronel de gabinete, que só sai às ruas para participar de fiscalizações da Lei Seca. Graças a Deus o senhor não representa a Polícia Militar, a qual possuo muitos amigos, desde soldados a coronéis, mas nenhum seguramente com o seu perfil. Mas não vou aqui perder meu tempo falando de uma pessoa tão desprezível quanto o senhor, isso eu deixo para a imprensa marrom. Meu objetivo aqui é infinitamente o seu oposto e o que o senhor representa enquanto ser humano.
O momento agora é de solidariedade. Liberdade ampla e irrestrita aos bombeiros militares presos. Chega de demagogia, Sérgio Cabral. Coloque professores bem remunerados nas salas de aula, remunere dignamente bombeiros, policiais e profissionais de saúde. O Rio de Janeiro não merece tanto descaso. Todos à rua em apoio aos bombeiros militares!!!
A luta continua
terça-feira, 12 de abril de 2011
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO
A recente tragédia que vitimou fatalmente 12 crianças e adolescentes no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, esta longe de ser compreendida pelos caminhos trilhados até aqui. É preciso antes afastar-se do óbvio e atacar a sua verdadeira intenção: a divulgação.
Não é difícil de se compreender que atos dessa natureza essencialmente objetivam mídia. Em sua quase totalidade esses assassinos são pessoas que não conseguem lidar com suas frustrações e consideram todos à sua volta culpados pelos seus insucessos na vida e precisam de algo que lhes dêem sentido, mesmo que esse sentido venha através de atos extremos.
Nesse contexto, o “espetáculo” criado por esses assassinos apresenta-se como grandioso indiscutível e inacessível ao entendimento. Sua única mensagem é “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva, que na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, com duas armas em punho e pelo seu monopólio da aparência e que a todos choca. Ele é o sol que não tem poente no império da passividade moderna e que nada tem a ver com religiosidade.
Vivemos em um modelo social perverso que gera inúmeras frustrações. É o sujeito que não consegue lidar com a separação de seus pais; é o recém formado que não consegue emprego; é o aluno que não consegue suportar uma nota vermelha em seu boletim; são pais que fazem questão de preparar seus filhos apenas para serem vencedores e vários outros exemplos dessa natureza.
No lado oposto, se tem os comerciais televisivos de carros que falam em valores de cinco, seis, sete dígitos como se fossem acessíveis à maioria das pessoas; são “convites” à viagem de férias para um país com um número absurdo de miseráveis, além, é claro, da maior de toda estupidez televisiva: os “big brothers”. Sim, o sistema adoece as pessoas, mas de forma alguma justifica ações terroristas e assassinas.
A imprensa, por seu turno, é co-partícipe desses eventos, pois sua maior preocupação é o lucro, independente de que forma ele venha. Enquanto se continuar a dar IBOPE a esses psicóticos em último grau decerto que outros se sentiram encorajados a cometer o mesmo ato insano.
Reafirmo mais uma vez que o caminho para se tentar evitar novamente essas situações excepcionais passa pelo papel da imprensa. Não adianta se criar um estado policialesco em torno da escola, isso é um absurdo e não irá impedir outras ações desse tipo. Mas o caminho passa em se evitar ao máximo a exposição de assassinos e pelo conceito de “ética” empregado pela imprensa. É preciso reinventar a sociedade e seus valores.
Hoje percebo que a rotina diária das escolas, dos parques, dos abraços e beijos costumeiros, talvez não seja apenas infinitamente bela e festiva, mas também infinitamente frágil e precária; manter essa vida exige talvez esforços desesperados e heroicos, mas às vezes perdemos.
Ivan Karamazov diz que, a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver ao universo o seu bilhete de entrada. Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; ele continua a continuar. Esse é o meu sentimento.
Bom Jesus do Norte, 12 de abril de 2011.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus.
Não é difícil de se compreender que atos dessa natureza essencialmente objetivam mídia. Em sua quase totalidade esses assassinos são pessoas que não conseguem lidar com suas frustrações e consideram todos à sua volta culpados pelos seus insucessos na vida e precisam de algo que lhes dêem sentido, mesmo que esse sentido venha através de atos extremos.
Nesse contexto, o “espetáculo” criado por esses assassinos apresenta-se como grandioso indiscutível e inacessível ao entendimento. Sua única mensagem é “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva, que na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, com duas armas em punho e pelo seu monopólio da aparência e que a todos choca. Ele é o sol que não tem poente no império da passividade moderna e que nada tem a ver com religiosidade.
Vivemos em um modelo social perverso que gera inúmeras frustrações. É o sujeito que não consegue lidar com a separação de seus pais; é o recém formado que não consegue emprego; é o aluno que não consegue suportar uma nota vermelha em seu boletim; são pais que fazem questão de preparar seus filhos apenas para serem vencedores e vários outros exemplos dessa natureza.
No lado oposto, se tem os comerciais televisivos de carros que falam em valores de cinco, seis, sete dígitos como se fossem acessíveis à maioria das pessoas; são “convites” à viagem de férias para um país com um número absurdo de miseráveis, além, é claro, da maior de toda estupidez televisiva: os “big brothers”. Sim, o sistema adoece as pessoas, mas de forma alguma justifica ações terroristas e assassinas.
A imprensa, por seu turno, é co-partícipe desses eventos, pois sua maior preocupação é o lucro, independente de que forma ele venha. Enquanto se continuar a dar IBOPE a esses psicóticos em último grau decerto que outros se sentiram encorajados a cometer o mesmo ato insano.
Reafirmo mais uma vez que o caminho para se tentar evitar novamente essas situações excepcionais passa pelo papel da imprensa. Não adianta se criar um estado policialesco em torno da escola, isso é um absurdo e não irá impedir outras ações desse tipo. Mas o caminho passa em se evitar ao máximo a exposição de assassinos e pelo conceito de “ética” empregado pela imprensa. É preciso reinventar a sociedade e seus valores.
Hoje percebo que a rotina diária das escolas, dos parques, dos abraços e beijos costumeiros, talvez não seja apenas infinitamente bela e festiva, mas também infinitamente frágil e precária; manter essa vida exige talvez esforços desesperados e heroicos, mas às vezes perdemos.
Ivan Karamazov diz que, a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver ao universo o seu bilhete de entrada. Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; ele continua a continuar. Esse é o meu sentimento.
Bom Jesus do Norte, 12 de abril de 2011.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus.
quinta-feira, 24 de março de 2011
AS SEMENTES DO MAL
Durante muito tempo prevaleceu no Brasil o estereótipo de que “os fatos falam por si” e por isso os envolvidos já são condenados pela sociedade. Ora, se fosse verdade que os “fatos falam por si”, não haveria necessidade de investigações nem tampouco a existência de advogados se faria necessária. Mas para alguns veículos de comunicação essa noção das coisas acaba por formar opiniões distorcidas ou mesmo mentirosa das notícias por eles divulgadas, sobretudo, pelos analfabetos funcionais.
Tomemos como exemplo a recente divulgação de um vídeo que mostra um menor de idade baleado “à queima roupa” no interior de uma favela do Amazonas por policiais militares.
É certo que os leitores não saibam, mas recentemente em uma escola pública o signatário deste foi ameaçado de morte por um menor de 10 anos de idade tão somente por tê-lo advertido face ao furto que este cometia no interior da mochila de um colega de classe. Absurdo? Não, a nossa realidade.
Talvez os leitores também não saibam, mas na maioria das escolas públicas o que mais se vê nas paredes são pichações com apologia a toda sorte de crime. São diversas siglas de facções criminosas espalhadas pelos corredores, banheiros e salas de aula; desenhos de fuzis, pistolas e xingamentos os mais variados.
Talvez os ilustres leitores igualmente desconheçam, mas em cada 10 crimes que acontecem no Brasil, sete têm a participação de menores de idade.
É... já deu para perceber que esses menores não são tão inocentes assim. Muitos deles poderiam “ministrar aulas” de direito penal, processual penal e conhecem de cabo a rabo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Sabem da fragilidade das nossas leis e se aproveitam disso para delinquir.
Seus pais e familiares nem sempre são omissos, mas a lei em vigor os impedem de ter atitudes mais extremas sob pena de prisão, o que os tornam refens de seus próprios filhos.
Definitivamente não dá para enviar flores para quem te recebe com balas de fuzil. Não se sabe exatamente o que teria levado aquele policial a cometer aquele ato extremo. Sim, é preciso apurar com rigor e isenção os fatos e punir os responsáveis.
Mas o policial, assim como o professor, trabalha sob um estresse que muita gente não tem noção, o que não justifica ações impulsivas como a mostrada no vídeo. O menor de idade que está no crime sabe perfeitamente que a lei não o alcançará, pois é inimputável.
Muitos policiais já devem ter se sentido impotentes e desanimados durante suas atividades, pois muitas vezes apreenderam “sementes do mal” em flagrante delito e estes sequer foram ouvidos pela autoridade policial. Não por culpa deste. É o sistema. Quantos não perderam horas e horas com a burocracia no interior de delegacias policiais enquanto o menor de idade saia debochando e pela porta da frente com escolta dos Conselhos Tutelares?
O que garante que aquele jovem do vídeo não teria atentado contra a vida daqueles policiais e quando sua munição teria acabado resolveu se entregar e numa lamentável explosão de estresse um dos policiais não teria disparado sua arma contra seu algoz? Quantos marginais não fazem isso? Trocam tiros e quando a munição acaba se entregam com medo de morrer? São covardes!
Que as pessoas entendam que não sou favorável à execução de quem quer que seja, mas apenas faço aqui uma análise imparcial dos fatos. Nada justifica tirar a vida de ninguém, exceto situações que a lei permite guardadas as devidas proporções, mas penso que chegou a hora de parar de se romantizar as coisas envolvendo menores de idade.
Enquanto aqueles parasitas lá do Congresso Nacional não reverem com responsabilidade nossos diplomas legais, “tiragem”, delegados, promotores e juízes muito pouco poderão fazer no combate eficaz à criminalidade. Não basta prender e condenar, é preciso leis que os façam cumprir integralmente suas penas. Nada de redução, como a recente aprovada pelo Congresso, que para cada 12 horas de estudo do preso diminui um dia na sua pena. Isso, sim, é uma sacanagem das grandes com o povo brasileiro que sustenta essa corja.
A luta continua.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
BJN, (ES), 24 de março de 2011
Tomemos como exemplo a recente divulgação de um vídeo que mostra um menor de idade baleado “à queima roupa” no interior de uma favela do Amazonas por policiais militares.
É certo que os leitores não saibam, mas recentemente em uma escola pública o signatário deste foi ameaçado de morte por um menor de 10 anos de idade tão somente por tê-lo advertido face ao furto que este cometia no interior da mochila de um colega de classe. Absurdo? Não, a nossa realidade.
Talvez os leitores também não saibam, mas na maioria das escolas públicas o que mais se vê nas paredes são pichações com apologia a toda sorte de crime. São diversas siglas de facções criminosas espalhadas pelos corredores, banheiros e salas de aula; desenhos de fuzis, pistolas e xingamentos os mais variados.
Talvez os ilustres leitores igualmente desconheçam, mas em cada 10 crimes que acontecem no Brasil, sete têm a participação de menores de idade.
É... já deu para perceber que esses menores não são tão inocentes assim. Muitos deles poderiam “ministrar aulas” de direito penal, processual penal e conhecem de cabo a rabo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Sabem da fragilidade das nossas leis e se aproveitam disso para delinquir.
Seus pais e familiares nem sempre são omissos, mas a lei em vigor os impedem de ter atitudes mais extremas sob pena de prisão, o que os tornam refens de seus próprios filhos.
Definitivamente não dá para enviar flores para quem te recebe com balas de fuzil. Não se sabe exatamente o que teria levado aquele policial a cometer aquele ato extremo. Sim, é preciso apurar com rigor e isenção os fatos e punir os responsáveis.
Mas o policial, assim como o professor, trabalha sob um estresse que muita gente não tem noção, o que não justifica ações impulsivas como a mostrada no vídeo. O menor de idade que está no crime sabe perfeitamente que a lei não o alcançará, pois é inimputável.
Muitos policiais já devem ter se sentido impotentes e desanimados durante suas atividades, pois muitas vezes apreenderam “sementes do mal” em flagrante delito e estes sequer foram ouvidos pela autoridade policial. Não por culpa deste. É o sistema. Quantos não perderam horas e horas com a burocracia no interior de delegacias policiais enquanto o menor de idade saia debochando e pela porta da frente com escolta dos Conselhos Tutelares?
O que garante que aquele jovem do vídeo não teria atentado contra a vida daqueles policiais e quando sua munição teria acabado resolveu se entregar e numa lamentável explosão de estresse um dos policiais não teria disparado sua arma contra seu algoz? Quantos marginais não fazem isso? Trocam tiros e quando a munição acaba se entregam com medo de morrer? São covardes!
Que as pessoas entendam que não sou favorável à execução de quem quer que seja, mas apenas faço aqui uma análise imparcial dos fatos. Nada justifica tirar a vida de ninguém, exceto situações que a lei permite guardadas as devidas proporções, mas penso que chegou a hora de parar de se romantizar as coisas envolvendo menores de idade.
Enquanto aqueles parasitas lá do Congresso Nacional não reverem com responsabilidade nossos diplomas legais, “tiragem”, delegados, promotores e juízes muito pouco poderão fazer no combate eficaz à criminalidade. Não basta prender e condenar, é preciso leis que os façam cumprir integralmente suas penas. Nada de redução, como a recente aprovada pelo Congresso, que para cada 12 horas de estudo do preso diminui um dia na sua pena. Isso, sim, é uma sacanagem das grandes com o povo brasileiro que sustenta essa corja.
A luta continua.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
BJN, (ES), 24 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
A ANTÍTESE DA SEGURANÇA
Se por acaso alguém o parasse na rua para lhe perguntar qual a área de pesquisa que mais recebe investimentos do setor público, qual seria a sua resposta? Medicina? Errou. O segmento que mais recebe investimentos é o da segurança. Não em relação aos profissionais que atuam no setor, mas sim, em tecnologias.
A Sociologia moderna afirma que não existe sociedade, mas sim sociedades. São vários grupos dentro de um mesmo contexto político e econômico, mas com diferenças significativas no social, o que gera diferentes atuações do Estado, ainda que este negue tal prática. Mas não somos imbecis. Com exceção do juiz “Lalau”, quantos outros juízes você ouviu falar que foram parar na cadeia em razão de seus crimes? E olha que tem um rol enorme de juízes envolvidos em ilícitos os mais diversos. Então não me venham dizer que somos todos iguais perante a lei que não somos mesmo!
A ideia de poder, – ainda que estereotipada -, é algo que fascina e seduz o que acaba atraindo um contingente enorme para as forças policiais.
Mas há também pessoas que vão pela vocação e com a esperança de um dia serem dignamente remuneradas, mas infelizmente vão morrer sem que isso aconteça.
O Brasil é um país com dimensões continentais e por isso mesmo reúne um enorme mosaico cultural. As exigências de escolaridade para desempenhar as mesmas funções variam de região para região e, por conseguinte, de estado para estado, salvo as carreiras técnicas, como engenheiros, professores, médicos e outros que exigem curso superior, exigência que não se aplica aos policiais militares e civis, onde na maioria dos estados basta o ensino médio completo para o desempenho da função policial. Nota: O Distrito Federal é uma exceção. Lá, exige-se nível superior para todas às polícias.
Em países ditos desenvolvidos, não há grandes diferenças salariais entre as profissões. Na Dinamarca, por exemplo, é mínima a diferença entre o que recebe um garçom e um policial; um médico e uma faxineira; um professor e um taxista, quadro que se repete na maioria dos países europeus.
Mas aqui, essa diferença é absurda. No Brasil, um policial militar – independente do estado – ganha mais que qualquer professor da educação básica, independente da unidade da federação, o que não significa dizer que ele seja bem remunerado, ao contrário. Detalhe: para se tornar um soldado policial militar no estado do Rio de Janeiro basta o ensino médio, já um professor com licenciatura plena é preciso curso superior.
O sistema é perverso. Os discursos acompanham a lógica de Estado. Quanto mais se investir em segurança, mais se afasta o risco de uma revolta popular ou coisa parecida. Quanto menos se investir em educação, mais se perpetuará o quadro de ignorância e de multiplicação dos analfabetos funcionais, tudo o que o Estado precisa para evitar situações embaraçosas.
Mas a verdade é que essa segurança que nos é “vendida” é só aparente. O Rio de Janeiro está repleto de viaturas novinhas em folha, mas o salário dos policiais continua minguado. Atualmente nas salas de aula do estado existe um computador conectado diretamente na Secretaria de Educação, a chamada “Conexão Online”. Entre uma aula e outra o professor tem exatos três minutos para sair de uma sala e entrar em outra, sequer tem tempo para ir ao banheiro, mas seu salário...
Sim, vivemos no Panoptismo de Bentham. Colocaram a sociedade numa redoma vigiada. Todos são suspeitos até prova em contrário. É preciso vigiar e punir, esse é o discurso.
A educação faliu e definitivamente tornou-se uma utopia. Mas não vamos desistir. É fato que diariamente um sem número de professores pede exoneração do quadro permanente do magistério, mas também existem aqueles que ficam e acreditam em sonhos. Sabem que não terão vida para assistir às mudanças tão necessárias em nossa sociedade. Porém, o mais importante é que não se calaram não se omitiram e não foram subservientes. Se fosse apenas por isso, já teria valido à pena não ter abandonado aquelas crianças e adolescentes que caminham junto conosco acreditando em um dia viver num país menos hipócrita e verdadeiramente mais justo, mas há muito mais coisa que faz valer à pena e que somente quem é professor de verdade conhece.
A luta continua
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
17 de março de 2010
A Sociologia moderna afirma que não existe sociedade, mas sim sociedades. São vários grupos dentro de um mesmo contexto político e econômico, mas com diferenças significativas no social, o que gera diferentes atuações do Estado, ainda que este negue tal prática. Mas não somos imbecis. Com exceção do juiz “Lalau”, quantos outros juízes você ouviu falar que foram parar na cadeia em razão de seus crimes? E olha que tem um rol enorme de juízes envolvidos em ilícitos os mais diversos. Então não me venham dizer que somos todos iguais perante a lei que não somos mesmo!
A ideia de poder, – ainda que estereotipada -, é algo que fascina e seduz o que acaba atraindo um contingente enorme para as forças policiais.
Mas há também pessoas que vão pela vocação e com a esperança de um dia serem dignamente remuneradas, mas infelizmente vão morrer sem que isso aconteça.
O Brasil é um país com dimensões continentais e por isso mesmo reúne um enorme mosaico cultural. As exigências de escolaridade para desempenhar as mesmas funções variam de região para região e, por conseguinte, de estado para estado, salvo as carreiras técnicas, como engenheiros, professores, médicos e outros que exigem curso superior, exigência que não se aplica aos policiais militares e civis, onde na maioria dos estados basta o ensino médio completo para o desempenho da função policial. Nota: O Distrito Federal é uma exceção. Lá, exige-se nível superior para todas às polícias.
Em países ditos desenvolvidos, não há grandes diferenças salariais entre as profissões. Na Dinamarca, por exemplo, é mínima a diferença entre o que recebe um garçom e um policial; um médico e uma faxineira; um professor e um taxista, quadro que se repete na maioria dos países europeus.
Mas aqui, essa diferença é absurda. No Brasil, um policial militar – independente do estado – ganha mais que qualquer professor da educação básica, independente da unidade da federação, o que não significa dizer que ele seja bem remunerado, ao contrário. Detalhe: para se tornar um soldado policial militar no estado do Rio de Janeiro basta o ensino médio, já um professor com licenciatura plena é preciso curso superior.
O sistema é perverso. Os discursos acompanham a lógica de Estado. Quanto mais se investir em segurança, mais se afasta o risco de uma revolta popular ou coisa parecida. Quanto menos se investir em educação, mais se perpetuará o quadro de ignorância e de multiplicação dos analfabetos funcionais, tudo o que o Estado precisa para evitar situações embaraçosas.
Mas a verdade é que essa segurança que nos é “vendida” é só aparente. O Rio de Janeiro está repleto de viaturas novinhas em folha, mas o salário dos policiais continua minguado. Atualmente nas salas de aula do estado existe um computador conectado diretamente na Secretaria de Educação, a chamada “Conexão Online”. Entre uma aula e outra o professor tem exatos três minutos para sair de uma sala e entrar em outra, sequer tem tempo para ir ao banheiro, mas seu salário...
Sim, vivemos no Panoptismo de Bentham. Colocaram a sociedade numa redoma vigiada. Todos são suspeitos até prova em contrário. É preciso vigiar e punir, esse é o discurso.
A educação faliu e definitivamente tornou-se uma utopia. Mas não vamos desistir. É fato que diariamente um sem número de professores pede exoneração do quadro permanente do magistério, mas também existem aqueles que ficam e acreditam em sonhos. Sabem que não terão vida para assistir às mudanças tão necessárias em nossa sociedade. Porém, o mais importante é que não se calaram não se omitiram e não foram subservientes. Se fosse apenas por isso, já teria valido à pena não ter abandonado aquelas crianças e adolescentes que caminham junto conosco acreditando em um dia viver num país menos hipócrita e verdadeiramente mais justo, mas há muito mais coisa que faz valer à pena e que somente quem é professor de verdade conhece.
A luta continua
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
17 de março de 2010
quarta-feira, 16 de março de 2011
MENTIRAS DISFARÇADAS DE VERDADES
Talvez um dos piores inimigos da humanidade seja o medo do desconhecido. Esse temor em relação ao Nada, faz com que muitas pessoas cometam atos tresloucados e patéticos em razão dessa ignorância.
O homem inventou Deus e Este o homem e a religião. Em sociedades tão marcadas pelo pragmatismo religioso e pelo preconceito, essa afirmação talvez reverbere de forma adversa da qual se pretenda. Mas a vida é assim mesmo. Indivíduos se apropriam de um excerto de algo que se escreve ou se fala e criam suas próprias convicções; suas próprias “verdades”; seus “recortes do real”. A crítica com objetividade no stricto sensu não é uma prática muito comum em nosso meio.
Ao assistir a filmes épicos que retratam a vida de Cristo, sempre me questiono: onde as religiões que propagam a fé cristã se divorciaram da arqueologia dos saberes de Jesus? Segundo as narrativas, Jesus era uma pessoa extremamente simples. Sua filosofia era tão somente a prática do amor, da caridade e da humildade.
Mas o homem, ah, o homem... Apropriou-se de “recortes” daquilo que julgou conveniente apropriar-se e logo tratou de fundar uma seita. Sim, na época em que foi criada a Igreja era uma seita, e não uma religião. Somente séculos mais tarde, quando o número de adeptos foi aumentando, é que de fato ela se tornou uma religião.
Traçando uma breve história da Igreja, pude perceber que ela sempre ocupou um lugar de destaque nas sociedades em que se instalou.
Na Idade Média (476-1453) estava no topo da pirâmide social e norteava todo o comportamento das pessoas através do misticismo e do medo utilizando-se da Inquisição. Para alguns historiadores, esse momento é considerado um período de “trevas”, principalmente pelos renascentistas, que viam nessa época um retrocesso da humanidade sob todos os seus aspectos, principalmente naquilo que diz respeito à cultura e ao desenvolvimento intelectual do homem se comparado ao período anterior, a Antiguidade Clássica.
Na Idade Moderna (1453-1789) a Igreja igualmente assumiu uma postura radical em relação àqueles que discordavam de seus dogmas ou apenas tivessem uma opinião diferente daquela oficial. Mas nessa época a Reforma Protestante já havia acontecido. Na verdade era inevitável. Inconformada com a perda de fiéis para o protestantismo e sete anos após a Contrarreforma, a resposta da Igreja Católica não tardou e radicalizou ainda mais seus métodos.
Na noite de 24 de agosto de 1572, centenas de milhares de protestantes foram mortos por católicos no interior de uma igreja e arredores. Esse triste episódio ficou conhecido como “A Noite de São Bartolomeu”. Mas não foi só isso. A própria colonização da América do Norte é resultado das lutas de religiões que estavam ocorrendo em toda a Europa, principalmente na França e Inglaterra, países lavados de sangue por essa guerra estúpida e irracional.
Não podemos também esquecer que havia o Tribunal do Santo Ofício, órgão criado pela Igreja Católica para julgar as pessoas acusadas de bruxaria as quais em sua maioria eram consideradas culpadas e covardemente imoladas.
A Idade Contemporânea (1789 aos dias atuais) também foi uma época recheada de contradições para aquela que se julgava herdeira do Império Romano do Ocidente, mas que guardou a sete chaves a literatura filosófica.
Giuseppi Giovanni Pacelli, também conhecido como o Papa Pio XII, em troca de um punhado de dinheiro fez vista grossa às inúmeras atrocidades cometidas pelo fascista Benito Mussolli.
Essas mesmas mãos que “abençoavam” os cristãos apertavam as mãos de homens como Mussolini e Hitler.
Se a Igreja Católica não tivesse sido tão omissa em razão do seu medo no triunfo do socialismo soviético, talvez milhões de vidas tivessem sido poupadas nos campos de concentração espalhados por quase toda a Europa.
Atualmente entristeço-me ao ligar a tv e assistir a anúncios de igrejas católicas e evangélicas que vendem de tudo. Desde a folhinha dos dias do ano, a chaveirinhos, toalhas, copos, cd’s, livros, fim de semana não sei aonde, viagens à Terra Santa e por aí vai.
Templos que mais se assemelham aos palácios dado às suas ostentações de luxo e riquezas afastam os mais simples, que muitas vezes por vergonha por não terem roupas que consideram adequadas, deixam de frequentá-las, o que sinceramente não acho que estejam perdendo grande coisa.
Nesse contexto, fica uma pergunta bem simples: onde foram parar as práticas dos ensinamentos de Jesus? O ser humano continua o mesmo, senão pior.
Mesmo na Idade Média, quando eram comuns os problemas de abastecimento, os senhores feudais abriam seus silos de grãos e distribuíam aos pobres. Hoje, nas grandes cidades, pessoas recolhem restos de comida nas lixeiras e as pessoas passam ao lado indiferentes. É essa a prática que chamam de fraternidade? É isso que é ser irmão?
São médicos que só atendem por dinheiro, defensores que igualmente só visam quanto irão ganhar na próxima ação, professores que fingem que ensinam porque acham que não ganham o suficiente para ensinar, policiais que prevaricam quando “rola” uma graninha, padres, pastores, rabinos e outros que vivem para pedir dinheiro aos fiéis para mais uma “obrinha”, mas a Igreja, enquanto instituição, muito pouco ou nada faz para minorar o pior dos dramas humanos: a fome. Essas mesmas pessoas todos os domingos e dias ditos santos estão lá, lotando as naves das igrejas para verem e serem vistas, talvez seus únicos objetivos: serem considerados pelo “outro” bons cristãos e bons cidadãos.
Por último, penso que já passou da hora das pessoas questionarem suas instituições. Não apenas as políticas, mas principalmente as religiosas. Talvez seu dinheiro fosse mais bem empregado se fossem compradas mensalmente cestas básicas e anonimamente distribuídas aos necessitados; talvez seu tempo fosse mais bem aproveitado se dedicado ao trabalho voluntário, tem tanta gente precisando que você não faz ideia. Talvez assim, quem sabe, você se aproxime mais de sua fé, afinal, nada como ousar e duvidar do óbvio.
A luta continua.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
O homem inventou Deus e Este o homem e a religião. Em sociedades tão marcadas pelo pragmatismo religioso e pelo preconceito, essa afirmação talvez reverbere de forma adversa da qual se pretenda. Mas a vida é assim mesmo. Indivíduos se apropriam de um excerto de algo que se escreve ou se fala e criam suas próprias convicções; suas próprias “verdades”; seus “recortes do real”. A crítica com objetividade no stricto sensu não é uma prática muito comum em nosso meio.
Ao assistir a filmes épicos que retratam a vida de Cristo, sempre me questiono: onde as religiões que propagam a fé cristã se divorciaram da arqueologia dos saberes de Jesus? Segundo as narrativas, Jesus era uma pessoa extremamente simples. Sua filosofia era tão somente a prática do amor, da caridade e da humildade.
Mas o homem, ah, o homem... Apropriou-se de “recortes” daquilo que julgou conveniente apropriar-se e logo tratou de fundar uma seita. Sim, na época em que foi criada a Igreja era uma seita, e não uma religião. Somente séculos mais tarde, quando o número de adeptos foi aumentando, é que de fato ela se tornou uma religião.
Traçando uma breve história da Igreja, pude perceber que ela sempre ocupou um lugar de destaque nas sociedades em que se instalou.
Na Idade Média (476-1453) estava no topo da pirâmide social e norteava todo o comportamento das pessoas através do misticismo e do medo utilizando-se da Inquisição. Para alguns historiadores, esse momento é considerado um período de “trevas”, principalmente pelos renascentistas, que viam nessa época um retrocesso da humanidade sob todos os seus aspectos, principalmente naquilo que diz respeito à cultura e ao desenvolvimento intelectual do homem se comparado ao período anterior, a Antiguidade Clássica.
Na Idade Moderna (1453-1789) a Igreja igualmente assumiu uma postura radical em relação àqueles que discordavam de seus dogmas ou apenas tivessem uma opinião diferente daquela oficial. Mas nessa época a Reforma Protestante já havia acontecido. Na verdade era inevitável. Inconformada com a perda de fiéis para o protestantismo e sete anos após a Contrarreforma, a resposta da Igreja Católica não tardou e radicalizou ainda mais seus métodos.
Na noite de 24 de agosto de 1572, centenas de milhares de protestantes foram mortos por católicos no interior de uma igreja e arredores. Esse triste episódio ficou conhecido como “A Noite de São Bartolomeu”. Mas não foi só isso. A própria colonização da América do Norte é resultado das lutas de religiões que estavam ocorrendo em toda a Europa, principalmente na França e Inglaterra, países lavados de sangue por essa guerra estúpida e irracional.
Não podemos também esquecer que havia o Tribunal do Santo Ofício, órgão criado pela Igreja Católica para julgar as pessoas acusadas de bruxaria as quais em sua maioria eram consideradas culpadas e covardemente imoladas.
A Idade Contemporânea (1789 aos dias atuais) também foi uma época recheada de contradições para aquela que se julgava herdeira do Império Romano do Ocidente, mas que guardou a sete chaves a literatura filosófica.
Giuseppi Giovanni Pacelli, também conhecido como o Papa Pio XII, em troca de um punhado de dinheiro fez vista grossa às inúmeras atrocidades cometidas pelo fascista Benito Mussolli.
Essas mesmas mãos que “abençoavam” os cristãos apertavam as mãos de homens como Mussolini e Hitler.
Se a Igreja Católica não tivesse sido tão omissa em razão do seu medo no triunfo do socialismo soviético, talvez milhões de vidas tivessem sido poupadas nos campos de concentração espalhados por quase toda a Europa.
Atualmente entristeço-me ao ligar a tv e assistir a anúncios de igrejas católicas e evangélicas que vendem de tudo. Desde a folhinha dos dias do ano, a chaveirinhos, toalhas, copos, cd’s, livros, fim de semana não sei aonde, viagens à Terra Santa e por aí vai.
Templos que mais se assemelham aos palácios dado às suas ostentações de luxo e riquezas afastam os mais simples, que muitas vezes por vergonha por não terem roupas que consideram adequadas, deixam de frequentá-las, o que sinceramente não acho que estejam perdendo grande coisa.
Nesse contexto, fica uma pergunta bem simples: onde foram parar as práticas dos ensinamentos de Jesus? O ser humano continua o mesmo, senão pior.
Mesmo na Idade Média, quando eram comuns os problemas de abastecimento, os senhores feudais abriam seus silos de grãos e distribuíam aos pobres. Hoje, nas grandes cidades, pessoas recolhem restos de comida nas lixeiras e as pessoas passam ao lado indiferentes. É essa a prática que chamam de fraternidade? É isso que é ser irmão?
São médicos que só atendem por dinheiro, defensores que igualmente só visam quanto irão ganhar na próxima ação, professores que fingem que ensinam porque acham que não ganham o suficiente para ensinar, policiais que prevaricam quando “rola” uma graninha, padres, pastores, rabinos e outros que vivem para pedir dinheiro aos fiéis para mais uma “obrinha”, mas a Igreja, enquanto instituição, muito pouco ou nada faz para minorar o pior dos dramas humanos: a fome. Essas mesmas pessoas todos os domingos e dias ditos santos estão lá, lotando as naves das igrejas para verem e serem vistas, talvez seus únicos objetivos: serem considerados pelo “outro” bons cristãos e bons cidadãos.
Por último, penso que já passou da hora das pessoas questionarem suas instituições. Não apenas as políticas, mas principalmente as religiosas. Talvez seu dinheiro fosse mais bem empregado se fossem compradas mensalmente cestas básicas e anonimamente distribuídas aos necessitados; talvez seu tempo fosse mais bem aproveitado se dedicado ao trabalho voluntário, tem tanta gente precisando que você não faz ideia. Talvez assim, quem sabe, você se aproxime mais de sua fé, afinal, nada como ousar e duvidar do óbvio.
A luta continua.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
SOMOS TODOS IGUAIS
Por
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
28 de fevereiro de 2011
Definitivamente o ser humano não foi concebido para viver só, trata-se de uma constatação social indiscutível. Mesmo nesse modelo de sociedade cada vez mais decadente, são em nossos pares. nessa “Selva de Pedra”, que encontramos a tão necessária força para nos ajudar a superar uma dificuldade ou mesmo um problema. O que seria de nós sem nossos amigos para nos ajudar em nossos dramas cotidianos? Como lidar no singular com dores que parecem dilacerar nossos corações e mentes? Quando a dor é oriunda de uma ruptura amorosa, aí então nem se fala. Independentes de escolarização, grau de cultura e posição social, é todo mundo igual nessa hora.
Os protagonistas desse enredo sentem as mesmas dores, isso porque, elas se alojam naquilo que o ser humano tem de mais sensível: a alma. Talvez por esse pequeno detalhe, as decepções amorosas sejam tão doloridas e difíceis de serem superadas, mas nesse momento não podemos esquecer da lição de Saint-Èxupèry: “só se vê bem com o coração...”.
Mas como atravessar esse “vale de lágrimas” que parece não ter fim? Reza o dito popular que para se esquecer um amor só um outro amor. Seria perfeito se não fosse tão simplista. Mas além de simplista, é desonesto, falho e idiota. É preciso enfrentar as coisas de frente e enxergá-las como realmente se apresentam a nós, e não como gostaríamos que elas fossem. É missão árdua e que demanda o tal do “tic-tac”, mas uma vez superado é definitivo, não tem volta. Nesse momento deixamos de sofrer e não seremos mais “assombrados” pelas “visões” que só existem em nossas mentes e que nos causam tanta dor pelo fato de sua impossibilidade, mas é preciso perceber que o que desejamos nem sempre pertence à realidade daquilo que o “outro” quer viver. É preciso também respeitá-lo em sua decisão para que ele seja feliz, mesmo sem a nossa presença.
Nessas horas é primordial rodear-se de amigos. Sim, amigos verdadeiros e que traduzem a mais fiel expressão do amor. São eles que nos carregam no colo e são eles ainda que ouvem a mesma história repetida centenas de vezes como se fosse a primeira e sem reclamar da redundância. Essas pessoas maravilhosas iluminam a “Caverna de Platão” que nos encontramos e sofrem conosco quando relutamos em enxergar a luz que nos devolverá a alegria de viver e por conseguinte amar novamente. Mas eles insistem em seu propósito de nos resgatar. Muitas vezes deixam seus amores para ouvir nossas lamúrias e nos chamar à razão; não ao cartesianismo do século XVIII, mas razão existencialista presente no pensamento de Sartre, Heiddegger, Merleau-Ponty, Beauvoir e tantos outros.
Mas a grande surpresa ao final desse “resgate”, é poder perceber que desde o mais simples ao mais literato dos amigos, todos foram fundamentais na formação da nossa convicção em relação ao nosso papel nessa Teia de Penélope. E sabem o que eles nos disseram quando voltamos à vida? Que nós não conseguiríamos enxergar o que eles estavam tentando nos dizer o tempo todo. E sabem por quê? Pelo fato de que “... O essencial é invisível para os olhos”, e nós estávamos míopes, não iríamos mesmo conseguir enxergar o óbvio, ou seja, da inevitabilidade de que tudo o que é sólido desmancha no ar, até mesmo amores eventuais, ou nem tão eventuais assim.
A luta continua.
Marcelo Adriano Nunes de Jesus
28 de fevereiro de 2011
Definitivamente o ser humano não foi concebido para viver só, trata-se de uma constatação social indiscutível. Mesmo nesse modelo de sociedade cada vez mais decadente, são em nossos pares. nessa “Selva de Pedra”, que encontramos a tão necessária força para nos ajudar a superar uma dificuldade ou mesmo um problema. O que seria de nós sem nossos amigos para nos ajudar em nossos dramas cotidianos? Como lidar no singular com dores que parecem dilacerar nossos corações e mentes? Quando a dor é oriunda de uma ruptura amorosa, aí então nem se fala. Independentes de escolarização, grau de cultura e posição social, é todo mundo igual nessa hora.
Os protagonistas desse enredo sentem as mesmas dores, isso porque, elas se alojam naquilo que o ser humano tem de mais sensível: a alma. Talvez por esse pequeno detalhe, as decepções amorosas sejam tão doloridas e difíceis de serem superadas, mas nesse momento não podemos esquecer da lição de Saint-Èxupèry: “só se vê bem com o coração...”.
Mas como atravessar esse “vale de lágrimas” que parece não ter fim? Reza o dito popular que para se esquecer um amor só um outro amor. Seria perfeito se não fosse tão simplista. Mas além de simplista, é desonesto, falho e idiota. É preciso enfrentar as coisas de frente e enxergá-las como realmente se apresentam a nós, e não como gostaríamos que elas fossem. É missão árdua e que demanda o tal do “tic-tac”, mas uma vez superado é definitivo, não tem volta. Nesse momento deixamos de sofrer e não seremos mais “assombrados” pelas “visões” que só existem em nossas mentes e que nos causam tanta dor pelo fato de sua impossibilidade, mas é preciso perceber que o que desejamos nem sempre pertence à realidade daquilo que o “outro” quer viver. É preciso também respeitá-lo em sua decisão para que ele seja feliz, mesmo sem a nossa presença.
Nessas horas é primordial rodear-se de amigos. Sim, amigos verdadeiros e que traduzem a mais fiel expressão do amor. São eles que nos carregam no colo e são eles ainda que ouvem a mesma história repetida centenas de vezes como se fosse a primeira e sem reclamar da redundância. Essas pessoas maravilhosas iluminam a “Caverna de Platão” que nos encontramos e sofrem conosco quando relutamos em enxergar a luz que nos devolverá a alegria de viver e por conseguinte amar novamente. Mas eles insistem em seu propósito de nos resgatar. Muitas vezes deixam seus amores para ouvir nossas lamúrias e nos chamar à razão; não ao cartesianismo do século XVIII, mas razão existencialista presente no pensamento de Sartre, Heiddegger, Merleau-Ponty, Beauvoir e tantos outros.
Mas a grande surpresa ao final desse “resgate”, é poder perceber que desde o mais simples ao mais literato dos amigos, todos foram fundamentais na formação da nossa convicção em relação ao nosso papel nessa Teia de Penélope. E sabem o que eles nos disseram quando voltamos à vida? Que nós não conseguiríamos enxergar o que eles estavam tentando nos dizer o tempo todo. E sabem por quê? Pelo fato de que “... O essencial é invisível para os olhos”, e nós estávamos míopes, não iríamos mesmo conseguir enxergar o óbvio, ou seja, da inevitabilidade de que tudo o que é sólido desmancha no ar, até mesmo amores eventuais, ou nem tão eventuais assim.
A luta continua.
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