quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A SALVADORA DA PÁTRIA

O que teria motivado a Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB a impetrar uma ação no Supremo Tribunal Federal para limitar o poder fiscalizatório do CNJ?
O que todos sabem, mas que muitos por medo se abstêm de comentar, é que a nossa Justiça é uma verdadeira caixa-preta. São inúmeros os problemas internos do Poder Judiciário e que raramente vem a público, e quando vem, instala-se um verdadeiro mal estar na corte e um assombro na população.
A título de ilustração, são juízes com crises de “juizites” agudas que acabam por desembocar suas frustrações nos funcionários mais próximos e no grande público que deles precisa. É desembargador atacando na mídia presidente de Tribunal de Justiça por incompetência. É Ministra deixando Ministro de saia-justa ao expor sérios problemas do judiciário em rede nacional. São Ministros da mais alta Corte se ofendendo também em cadeia nacional, isso sem mencionar a eterna guerra de vaidades entre seus pares, enfim, são numerosos os problemas.
Mas não é só isso. Quase todos os concursos para prover cargos de juiz de direito são recheados de escândalos. Muitos aprovados o são pelo fato de serem apadrinhados ou parentes de algum desembargador. A imprensa não cansa de denunciar essa prática infame em todo o território nacional.
Outra questão não menos grave diz respeito a algumas decisões judiciais. Muitas delas são elaboradas por assessores, onde o juiz apenas as assina, o que sem dúvida coloca tais decisões em xeque.
Ora, o ético seria as decisões serem proferidas por juízes, e não por assessores, que em muitos casos se consideram o próprio juiz, dado suas arrogâncias e prepotências, sobretudo no trato com pessoas mais humildes financeira ou intelectualmente ou ambas. No máximo, esses assessores são bacharéis em direito, eles não possuem a formação de um juiz. Seria como um professor apenas com graduação participar diretamente de uma banca de mestrado, algo possível apenas para professores mestres ou doutores.
Sim, o povo precisa de um órgão fiscalizador eficiente e isento, e o Conselho Nacional de Justiça bem desempenha esse papel. Inúmeras decisões judiciais foram anuladas ou revistas graças a existência do CNJ, que detectou em vários processos a existência de muitos equívocos, o que possibilitou suas revisões ou anulações.
Na verdade, esse é um problema estrutural que remonta o período colonial de nossa história, só que naquela época, não havia nenhum órgão fiscalizador, o que certamente concorreu para que inúmeras arbitrariedades e erros ocorressem e se mantivessem. Um exemplo desses erros foi a condenação à pena de morte de Manoel Motta Coqueiro, já no período imperial, acusado de matar oito colonos em sua fazenda em Macabu, no estado do Rio de Janeiro.
Anos mais tarde ficou comprovado o erro judiciário, o que levou o então imperador D. Pedro II a abolir a pena capital no Brasil, o que não trouxe de volta a vida de Manoel Coqueiro, último condenado à pena capital em nosso país.
Mas não podemos ser injustos. A maioria dos juízes são competentes e fazem jus aos cargos que meritoriamente ocupam. São homens e mulheres que julgam com olhares atentos às intensas e constantes transformações sociais e seus impactos nas vidas das pessoas, sobretudo nos menos afortunados, por isso, merecem todo nosso respeito e consideração. Para estes, a existência ou não do Conselho Nacional de Justiça não faz a menor diferença, pois têm plena consciência de seus papeis e agem com acendrada responsabilidade e probidade exemplar, já para os outros, a permanência do CNJ no cenário é sim, motivo de preocupação e para nós, simples mortais mais do que nunca necessária. Continue entre nós, Salvadora da Pátria!

A luta continua

Bom Jesus do Norte, (ES), 29 de setembro de 2011

Marcelo Adriano Nunes de Jesus

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O DISCURSO DO PODER

É obrigação de todos rechaçar qualquer tipo de intimidação e violência, sobretudo se estas vierem de encontro à pessoa, aos animais e ao Estado Democrático de Direito. Mas acerca do recém assassinato de uma juíza no Estado do Rio de Janeiro algumas considerações devem ser feitas.
Diariamente policiais e bombeiros são assassinados, médicos peritos e professores agredidos e nada ou quase nada é feito em relação a esses casos para se chegar aos autores e fazê-los pagar por seus crimes. Culpa da polícia, inércia do Judiciário, ineficiência do Poder Legislativo ou a soma dos três?
O fato, é que em relação ao caso da juíza tragicamente morta, tanto a polícia quanto o Judiciário demonstraram uma eficiência de dar inveja aos países de Primeiro Mundo. Em tempo recorde chegaram aos possíveis autores e todos os mandados de prisão expedidos cumpridos e os réus localizados e presos em penitenciárias de segurança máxima.
O que é difícil de entender é como alguns casos são tratados de formas tão díspares por essa mesma polícia e por esse mesmo Judiciário.
Ilustro o caso da engenheira desaparecida há três anos no Rio de Janeiro e que culminou com a decretação pela Justiça no último dia 17 de junho de sua morte presumida. Como pode um corpo desaparecer e não deixar vestígios com tanta tecnologia forense disponível? Como pode nenhuma arma ter sido localizada mesmo constando no carro da vítima quatro perfurações de tiros calibre ponto 40, arma privativa da polícia? Como pode os quatro policias militares que estavam de serviço próximo ao local de onde o carro da vítima caiu ou foi jogado não terem visto nada?
A questão, é que a única semelhança entre os casos é o nome das vítimas: Patrícia. Quanto à primeira, o crime praticamente já se encontra solucionado, isso se o que foi apresentado até agora não for mais um espetáculo de nossas instituições apenas para dar satisfação à sociedade, pois quem garante que todos os presos são culpados e suas garantias constitucionais estão sendo cumpridas? Segundo consta, um oficial superior da PMERJ - o mais recente preso no caso da juíza - foi transferido para Bangu 8, presídio de segurança máxima do estado do Rio de Janeiro. Entretanto, de acordo com o que preconiza nossa Carta Maior, o oficial tem direito à prisão especial a ser cumprida em organização militar, e não é isso que está sendo feito, o que coloca em dúvida todos os demais procedimentos. Quanto à segunda, a família continua na sua angustiante busca na tentativa de encontrar o corpo para que assim possa ao menos dar um enterro digno à sua querida Patrícia.
Sim, é preciso questionar o poder e seus discursos, para que assim, quem sabe, não tenhamos outras Patrícias com resultados tão dolorosos para as famílias, mas, sobretudo com tratamentos iguais nos resultados.



Bom Jesus do Norte, 28 de setembro de 2011

Marcelo Adriano Nunes de Jesus
A luta continua

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A VIDA TEM SEMPRE RAZÃO

Gonzaguinha, – intérprete da música nacional falecido na década de 1990 -, certa feita questionou o seguinte: “e a vida, e a vida o que é diga lá meu irmão...?” Para muitos é juntar riquezas, amigos, conhecimentos, ser visto como pertencente a uma casta social, enfim, cada qual possui uma maneira muito própria e pessoal de interpretá-la e responder a esse questionamento feito através de uma bela canção. Porém, quando questionados acerca de sua transitoriedade, todos são unânimes em concordar com essa característica tão intrínseca da vida.
Por outro lado, mesmo tendo essa consciência, muitos levam suas vidas como se tal certeza existisse apenas para os outros, sendo uma realidade muito distante de si, o que concorre para que suas preocupações se limitem às suas próprias vidas. É como se apenas eles sentissem os segredos da Caixa de Pandora e os outros fossem os outros e que se virem com seus problemas.
O resultado dessa atitude em relação ao outro é um enorme contingente de pessoas tristes que diariamente lotam os consultórios de psicólogos e psiquiatras em busca de respostas que dêem sentidos às suas vidas. Pobre ser humano! Quando perceber que essas respostas sempre estiveram dentro de si e que são tão simples de adotar em seu cotidiano, aí talvez se tenha um novo começar, ainda que se esteja à beira da morte.
Isso nos leva a crer que passados mais de dois mil anos o paradigma judaico-cristão de Deus mostrou-se falido. O ser humano não melhorou nada desde então, mister se faz outro modelo, um novo tipo de Deus, mais próximo talvez do homem e de sua realidade, assim como era na Antiguidade Clássica.
Ah, a Antiguidade... O que nos diriam Sócrates, Platão, Aristóteles, Sêneca e tantos outros acerca do homem contemporâneo? Decerto se limitariam ao silêncio ou talvez dissessem apenas que a vida tem sempre razão, o que seria mais que suficiente para compreender que somos o resultado de nossas escolhas; não a definição judaico-cristão para livre-arbítrio, mas sim liberdade, a liberdade que fez do homem míope de si mesmo ao escolher volver seus olhares para o absurdo de sua imortalidade material negligenciando as coisas que realmente têm relevância nessa nossa tão curta existência.
1º Dia da Primavera de 2011 - MANJ

terça-feira, 26 de julho de 2011

A MULHER PERFEITA

Seguramente posso dizer que sou uma pessoa extremamente de sorte, principalmente se levado em consideração o berço em que nasci e os presentes que a vida me concedeu e concede. Sou o mais velho quatro irmãos, todos trabalhadores e pessoas de bem. Quando meus pais se separaram eu estava com 11 anos, e para nós, foi muito difícil conviver com essa tragédia que separou nossa família. Antes da separação era comum ver meu pai chegar em casa após um dia de trabalho e colocar na “vitrola” um “LP” de Roberto Carlos e passar horas ao lado da minha mãe ouvindo suas canções. As letras de suas músicas falavam de amor profundo e também de algumas dores da alma. Naquela época eu não entendia os significados de “amor verdadeiro”, “amor eterno”, “felicidades plenas” e coisas do tipo. Eu era muito jovem para entender essas questões, mas eu achava que a tradução perfeita daquilo que o Roberto falava em suas músicas era o que eu via acontecer com meus pais naqueles momentos em que passávamos juntos.
Meus pais me legaram muito mais que uma boa educação, principalmente se levado em consideração a ética que por eles nos foi passada. Deles, também recebi dois irmãos e uma irmã que são a minha paixão. Tenho muito orgulho, admiração e muito amor pelos três.
Bem, eu cresci e assim como meus pais também me casei e tive duas filhas e igualmente passei pelas mesmas dores do meu pai quando veio a minha separação. Sinceramente achei que iria morrer de tanta dor quando ela chegou, mas como disse, me considero uma pessoa de muita sorte.
Passei seis anos da minha vida casado. Quando me separei, fiquei mais ou menos uns dois anos sem nenhum tipo de relacionamento. Nesse período, optei em me dedicar aos estudos e também aproveitei para fazer um balanço da minha vida e tentar enxergar onde eu tinha errado. Vi que tinha errado bastante naquele relacionamento, mas aprendi muito com a imagem que vi refletida no espelho da minha vida e sobretudo com o preço que fui obrigado a pagar. Infelizmente foi um custo muito alto que eu não paguei sozinho. Minha ex-mulher, minhas filhas e toda a nossa família também arcou com esse pesado ônus em que eu tive a maior parcela de (ir) responsabilidade. Mas nenhuma dor dura para sempre e o destino estava me preparando uma bela surpresa.
Em 2004 quando junto com alguns colegas fui fazer a inscrição para o concurso do magistério do estado do Rio de Janeiro, uma das exigências do certame era que deveríamos colocar no formulário de inscrição o município em que gostaríamos de trabalhar caso fossemos aprovados. A lógica, seria optar por um bairro próximo á residência, e foi isso que meus amigos fizeram, mas quando chegou a minha vez, vi que na nossa frente havia um mapa do estado. Simplesmente fechei meus olhos e disse: “ - aonde meu dedo bater, será o lugar que colocarei como opção – “. Todos ficaram espantos com a minha atitude; mais ainda com o resultado. Meu dedo apontou para uma cidadezinha chamada “Espera Feliz”, município mineiro que faz divisa com o estado do Rio. Desta feita, disse que a primeira cidade ao Sul de onde meu dedo apontasse seria meu local de escolha. Deu Varre-Sai, cidade que compreende a região do Noroeste Fluminense, assim como Natividade, Porciúncula e Bom Jesus do Itabapoana. Até a funcionária que fazia as inscrições ficou surpresa com o que acabara de fazer.
Dias depois fizemos a prova e fui classificado em 3º lugar. Nossa, como fiquei feliz com o resultado! Porém, dois dias após a publicação a prova foi cancelada por suspeita de vazamento do gabarito. Dessa vez fiquei muito triste e decepcionado e disse para mim mesmo, meus familiares e amigos que não iria fazer outra prova, pois aquilo me parecia “armação”. Na véspera da nova prova, sai e passei a noite na isbórnia. Fui a um barzinho que gosto muito na Vila da Penha e se não me falha a memória sai de lá mais ou menos às 3 horas da manhã e de porre. Nessa época eu morava na Barra da Tijuca com meus tios os quais para mim são como meus segundos pais. Quando cheguei em casa, sequer a roupa eu tirei. Deitei com roupa e tudo. Não sei se devido ao porre, mas quando minha tia me acordou tive a imprensão de ter deitado naquele instante. Não queria levantar e disse-lhe que não iria fazer a prova. Minha querida tia abriu todas as janelas, ligou a tv do quarto fez o maior barulho e me disse que já que eu passara a noite na “farra”, agora eu iria levantar, tomar um banho e fazer a prova. Não ousei desobedecê-la.
Caindo pelas tabelas lá fui eu para o Largo do Machado. Acho que levei umas duas horas para fazer toda a prova. Não que ela estivesse fácil, mas eu estava muito cansado e ansioso para voltar para casa e dormir. Dois dias depois saiu o gabarito e pelo resultado considerei ter feito uma boa prova, apesar das minhas condições nada boas, rs. Daí duas semanas o resultado final. Classificado em oitavo lugar. É aí que a minha história de vida (re) começa...
Mesmo tendo sido bem classificado no concurso o estado levou dois anos para me convocar. Cheguei em Bom Jesus do Itabapoana no dia 30 de junho de 2006. Um detalhe: eu não conhecia a cidade. Quando desembarquei na rodoviária às 6 horas da manhã, cerrei meus olhos e tive a nítida imprensão de que eu seria muito feliz naquela cidade. Apresentei-me na Coordenadoria que à época se localiza em um anexo ao Colégio Estadual Padre Melo. Era um colégio enorme e muito bonito. Fiquei encantado com a estrutura da escola. Lá, fui informado que deveria fazer a escolha da escola que eu gostaria de trabalhar. Ora, eu não conhecia nada naquela cidade nem tampouco Varre-Sai. Naquele mesmo dia conheci a diretora do Padre Melo, a professora Carla Moraes. Muito solícita e educada, sugeriu que como eu não conhecia nada, seria melhor se eu ficasse em Bom Jesus do Itabapoana, mas precisamente no Padre Melo, pois ali havia uma vaga para professor de história. Não tive dúvidas: fiquei no Padre Melo.
Ao sair dali e me hospedar no Big hotel soube que na semana seguinte haveria uma festa em Rosal e Apiacá, esta última localizada no Espírito Santo. No dia seguinte, voltei para o Rio, arrumei minhas coisas e voltei definitivamente para Bom Jesus do Itabapoana.
Nesse tempo, fiz algumas amizades, afinal, fiquei morando no hotel. Dentre essas amizades havia a Marina, uma manicure muito divertida e alegre. Foi ela quem me convidou a ir a um baile no Clube da Terceira Idade. Sinceramente pensei em declinar ao convite. O que eu faria num clube da terceira idade, imaginei? Mas resolvi aceitar o convite. Após dar uma passada em Rosal e Apiacá para conhecer as cidadezinhas fui ao tal clube, e foi lá que eu reconheci o meu grande amor.
Mal cheguei e a vi. Ela estava linda. Vestia blusa preta e calça branca. Fiquei encantado com aquela beleza e também com a sua leveza. Eu não estava enganado, vi em seus olhos que ela era a mulher que procurava por toda vida.
Aproximei-me e mesmo sem saber a convidei para dançar. Ela meio desconfiada recusou no primeiro momento. Apresentei-me e já fui contando toda a minha história e para minha surpresa ela também me contou a sua. Dançamos, ou melhor, ela dançou e fomos embora sem nos despedir devido um desencontro.
No dia seguinte fui à casa da Marina para saber o que ela sabia sobre aquela moça que eu havia me apaixonado. De repente, o telefone da Marina toca e para minha felicidade era a Rose.
Falei com ela ao telefone e dela recebi um convite para ir a Igreja, apesar de agnóstico, é lógico que aceitei. Assistimos ao culto e depois saímos. Conversamos um pouco mais e nos despedimos. Fui para o hotel mas não consegui dormir direito. Nos encontramos no dia seguinte e nos seguintes e começamos a namorar. Com quinze dias de namoro e preocupada com o meu estado financeiro, ela me convidou para morar em sua casa. Era uma casa branca com janelas e portas azuis. O tempo passou e com ele a consolidação daquela minha intuição primeira a seu respeito. Cinco anos se passaram e eu não estava enganado. Surpreendo-me a cada dia com ela. Não tenho dúvidas em afirmar que todos os adjetivos que exprimem solidariedade, companheirismo e amor à ela se aplicam. Não vislumbro minha vida sem sua companhia. Aquelas imagens que foram refletidas lá atrás, no espelho da minha vida quando da minha separação do primeiro casamento, são ainda muito presentes em minha memória como um alerta para que eu não cometa os mesmos erros hoje em dia.
A simplicidade da Rose contagia. Tenho certeza que com ela aprendo muito mais do que ensino, afinal, o que eu poderia ensinar a uma pessoa que é todo amor? Quando ouço as mesmas canções que meu pai ouvia, hoje entendo perfeitamente o seu sentido, o que eu não entendo, são algumas letras que falam de amores intensos e felizes e que terminam. Amor de verdade não acaba nunca. Nem a morte é capaz de apagar um amor intenso como esse que eu vivo, exceto a estupidez, esta sim, acaba com tudo, mas com certeza não serei estúpido ao ponto de perder a mulher da minha vida.
A cada nova manhã agradeço a Deus pela minha feliz escolha em vir para Bom Jesus, porque assim pude conhecer a mulher mais perfeita que já conheci e pela felicidade e alegria que sua companhia me proporciona. Seguramente minhas expectativas em relação ao amor terminam na Rose. Só peço a Deus sabedoria para conduzir essa relação e que eu nunca ouse magoar um amor tão belo e que para mim é perfeito.
Obrigado, Rozinéia Zanasdi por me mostrar as coisas belas do mundo e também por me mostrar o caminho a ser seguido. Te amo.

Bom Jesus do Norte, (ES), 26 de julho de 2011

Marcelo Adriano Nunes de Jesus

domingo, 5 de junho de 2011

AOS PEQUENINOS QUE SONHAM EM SE TORNAR HEROIS

Quando criança, sempre que perguntado o que seria quando crescesse a resposta era uma só: bombeiro. Eu tinha vários carrinhos na cor vermelha e muitos imitando as viaturas dos bombeiros. O tempo passou, eu cresci, mas infelizmente não consegui entrar para o Corpo de Bombeiros Militar. Tornei-me professor de história.
Acredito que pelos valores que defendem e pela postura que possuem,. muitas crianças de hoje em dia ainda têm o mesmo desejo que um dia eu tive: de se tornarem bombeiros militar. Indiscutivelmente a instituição na qual a sociedade tem maior apreço e confiança. Mas que não valoriza.
Mas qual será a resposta que daremos às nossas crianças quando perguntarem sobre a remuneração que nossos herois recebem para tamanha responsabilidade? O que lhes dizer sobre a razão da prisão de 439 pessoas que só se preocupam em salvar vidas e patrimônios alheios os quais em sua maioria eles próprios não possuem?
Qual a explicação que daremos quando questionados do por que da maior autoridade do estado ter chamado pessoas que só se ocupam em diminuir a dor alheia de “vândalos”? Como explicar a inversão de valores que impera em nosso estado? Como explicar aos alunos o sentido do termo “sociedade democrática de direito”, se o governador é o primeiro a dar o mau exemplo de totalitarismo na forma de governar? Como explicar aos pequenos que democracia é o inverso daquilo que nosso governador pratica em relação ao funcionalismo público?
Queridos alunos e a todas às crianças do Rio de Janeiro e do Brasil: bombeiros não são vândalos e policiais não são maus. São homens e mulheres que assim como vocês sonham com dias melhores. Eles também têm filhos, irmãos, pais e são seres humanos iguais a vocês, mas são tratados como a escória da sociedade por essa mesma sociedade que defendem.
Aos filhos desses bombeiros toda a minha solidariedade. Sou apenas um professor, mas tenham a certeza de que a instituição que seus pais e mães representam está muita acima da minha própria, haja vista na educação faltar o essencial: consciência de classe. Não desanimem, nenhuma ditadura dura para sempre, e seus familiares deram uma lição à Polícia Militar, à Polícia Civil, a Educação e as demais instituições de Estado ao lhes ensinar na prática o sentido de classe e união.
Amanhã, segunda-feira, dia 6 de junho de 2011, minha aula vai ser diferente. Vou pedir um minuto de silêncio em todas as turmas em que eu entrar em solidariedade a esses herois que foram injusta e covardemente presos.
Vou dizer também, que heróis existem e são de carne e osso, mas eles não ocupam nenhum lugar especial como muitos imaginam além disso se vestem de vermelho, azul, cinza e preto. São nossos bombeiros e policiais militares e civis; Um brinde com guaraná aos heróis anônimos desse Brasil e em particular aos BRAVOS ZERO ZERO do Rio de Janeiro.
A luta continua

O RIO MANCHADO DE VERMELHO Marcelo Adriano Nunes de Jesus.

Falar aqui do descaso do governo estadual em relação ao funcionalismo público e em particular daqueles que representam à “arraia-miúda” das diversas instituições de Estado seria redundante se em análise estive a forma de governar do senhor Sérgio Cabral e seu “staff”, o que não é o caso.
Mas não podemos deixar de mencionar que nenhuma oposição a seu governo é tolerada. Às chefias e comandos são dadas generosas gratificações para que mantenham a disciplina de seus subordinados para que estes não se rebelem contra os péssimos salários que recebem, mas aos que insistem em se opor, ou perdem a chefia e comando ou ainda correm o risco de responderem a inquéritos policiais, administrativos ou ambos. Essa é a forma de governar de Sérgio Cabral. A corrupção e o medo.
A título de ilustração, e que poucos sabem, é que na Alemanha Nazista cerca de 90% da população daquele país apoiava as atitudes de seu representante mor. Hoje se sabe que tal sucesso tinha por trás a propaganda de governo, assim como acontece no Rio de Janeiro de hoje, onde o PMDB de Cabral tem a seu lado as Organizações Globo que só veicula aquilo que é do seu interesse, ato bem característico dos sistemas fascistas de outrora, mas que nunca foram tão atuais em certos governos.
Aqui, os traficantes de drogas são avisados com antecedência das incursões policiais que objetivam a criação das Unidades de Polícia Pacificadora, as chamadas UPP’s. Desta feita, os marginais conseguem deixar seus esconderijos levando suas armas e drogas em total segurança.
Por outro lado, as coisas realmente relevantes e que deveriam ser levadas ao conhecimento público não o são por essa mesma mídia, como as péssimas condições de trabalho e salários dos servidores públicos, da má administração pública e de pessoas que deveriam estar na cadeia, e não chefiando pessoas.
Que a natureza e importância do trabalho dos bombeiros dispensa maiores comentários disso todos sabem e têm consciência. Mas infelizmente esses bravos combatentes foram abandonados à própria sorte pelo Estado. Além de covardemente agredidos, foram presos e humilhados como se marginais da mais alta periculosidade os fossem. Eram apenas pais e mães de família em busca da dignidade que lhes foi roubada.
Os bombeiros militares foram a única categoria que demonstrou organização e consciência de classe para se opor e enfrentar pacificamente o governo Sérgio Cabral. Não é à toa que carregam a marca de “herois” e destemidos, mas infelizmente foram recebidos à porrada pelo governo Sérgio Cabral.
Não vou aqui crucificar a Polícia Militar, pois bem sei de quão valorosa ela é, mas não posso deixar de consignar a covardia, a truculência e a maldade de um tal Coronel Milagres e alguns integrantes do Bope. Esse sujeito deveria ser processado na mais última instância da justiça por abuso de autoridade. Ademais, é um covarde e medroso, pois enquanto estava atrás da sua tropa – o BPChoque -, utilizou-se de spray de pimenta para lançar nos bombeiros que estavam sentados à sua frente e sem esboçar qualquer reação contra os policiais que faziam suas guardas. Foi uma agressão gratuita do comandante.
Agir dessa forma é fácil, coronel Milagres. Mas por que o senhor correu quando apenas um combatente foi em sua direção? A televisão mostrou a imagem. Ficou com medinho de apanhar? Onde está a sua valentia? A meu ver, coronel, um senhor é um covarde e um medroso, que só se sente homem e valente quando está com a sua tropa. Não me surpreenderia em saber que o senhor nunca tenha trocado tiros com vagabundos. O senhor tem o perfil de coronel de gabinete, que só sai às ruas para participar de fiscalizações da Lei Seca. Graças a Deus o senhor não representa a Polícia Militar, a qual possuo muitos amigos, desde soldados a coronéis, mas nenhum seguramente com o seu perfil. Mas não vou aqui perder meu tempo falando de uma pessoa tão desprezível quanto o senhor, isso eu deixo para a imprensa marrom. Meu objetivo aqui é infinitamente o seu oposto e o que o senhor representa enquanto ser humano.
O momento agora é de solidariedade. Liberdade ampla e irrestrita aos bombeiros militares presos. Chega de demagogia, Sérgio Cabral. Coloque professores bem remunerados nas salas de aula, remunere dignamente bombeiros, policiais e profissionais de saúde. O Rio de Janeiro não merece tanto descaso. Todos à rua em apoio aos bombeiros militares!!!

A luta continua

terça-feira, 12 de abril de 2011

A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

A recente tragédia que vitimou fatalmente 12 crianças e adolescentes no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, esta longe de ser compreendida pelos caminhos trilhados até aqui. É preciso antes afastar-se do óbvio e atacar a sua verdadeira intenção: a divulgação.
Não é difícil de se compreender que atos dessa natureza essencialmente objetivam mídia. Em sua quase totalidade esses assassinos são pessoas que não conseguem lidar com suas frustrações e consideram todos à sua volta culpados pelos seus insucessos na vida e precisam de algo que lhes dêem sentido, mesmo que esse sentido venha através de atos extremos.
Nesse contexto, o “espetáculo” criado por esses assassinos apresenta-se como grandioso indiscutível e inacessível ao entendimento. Sua única mensagem é “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva, que na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, com duas armas em punho e pelo seu monopólio da aparência e que a todos choca. Ele é o sol que não tem poente no império da passividade moderna e que nada tem a ver com religiosidade.
Vivemos em um modelo social perverso que gera inúmeras frustrações. É o sujeito que não consegue lidar com a separação de seus pais; é o recém formado que não consegue emprego; é o aluno que não consegue suportar uma nota vermelha em seu boletim; são pais que fazem questão de preparar seus filhos apenas para serem vencedores e vários outros exemplos dessa natureza.
No lado oposto, se tem os comerciais televisivos de carros que falam em valores de cinco, seis, sete dígitos como se fossem acessíveis à maioria das pessoas; são “convites” à viagem de férias para um país com um número absurdo de miseráveis, além, é claro, da maior de toda estupidez televisiva: os “big brothers”. Sim, o sistema adoece as pessoas, mas de forma alguma justifica ações terroristas e assassinas.
A imprensa, por seu turno, é co-partícipe desses eventos, pois sua maior preocupação é o lucro, independente de que forma ele venha. Enquanto se continuar a dar IBOPE a esses psicóticos em último grau decerto que outros se sentiram encorajados a cometer o mesmo ato insano.
Reafirmo mais uma vez que o caminho para se tentar evitar novamente essas situações excepcionais passa pelo papel da imprensa. Não adianta se criar um estado policialesco em torno da escola, isso é um absurdo e não irá impedir outras ações desse tipo. Mas o caminho passa em se evitar ao máximo a exposição de assassinos e pelo conceito de “ética” empregado pela imprensa. É preciso reinventar a sociedade e seus valores.
Hoje percebo que a rotina diária das escolas, dos parques, dos abraços e beijos costumeiros, talvez não seja apenas infinitamente bela e festiva, mas também infinitamente frágil e precária; manter essa vida exige talvez esforços desesperados e heroicos, mas às vezes perdemos.
Ivan Karamazov diz que, a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver ao universo o seu bilhete de entrada. Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; ele continua a continuar. Esse é o meu sentimento.

Bom Jesus do Norte, 12 de abril de 2011.

Marcelo Adriano Nunes de Jesus.