sexta-feira, 6 de março de 2009

 

            CARTA ABERTA ÀS MULHERES...E TAMBÉM AOS HOMENS.

 

           

            Nesse início de século, assistimos a vários pedidos formais de “desculpas” vindos de todos os cantos do mundo dirigidos à humanidade. Desde presidentes de Repúblicas, ao Papa, todos o fizeram em função dos vários equívocos que foram cometidos no passado por suas nações ou instituições contra o ser humano, os quais devemos de muito bom grado aceitá-las.

            Não obstante, apesar do reconhecimento desses erros, – desde a invasão da África pelas potências européias passando pelas atrocidades cometidas pela Santa Inquisição em nome de Deus -, percebi que nenhum desses pedidos se dirigiu especificamente às mulheres. Sim, as mulheres, e olha que não foram poucos os erros e abusos contra elas.

            Tomando como paradigma a sociedade ocidental, a história das mulheres foi marcada por muita dor e discriminação. Imaginem que apenas pelo fato natural delas menstruarem e caso fossem surpreendidas por alguém não tão próximo delas naquelas condições e fossem denunciadas por isso, seus destinos, na maioria das vezes, seriam os Tribunais do Santo Ofício, acusadas de bruxaria e coisas do gênero, e muitas acabavam mortas na fogueira. Uma estupidez, mesmo se encarado sob a conjuntura histórica da época.

            Aqui no Brasil até bem pouco tempo atrás, era o homem quem determinava todas as regras familiares e sociais, impondo, muitas das vezes, sem nenhum critério, a sua vontade à força, o que infelizmente ainda acontece em algumas regiões. Houve um presidente da República em terras tupiniquins que na década de 1960 chegou ao absurdo de proibir o uso de biquínis na praia. Trabalhar fora nem pensar. Estudar, imagina, era impossível para a grande maioria das mulheres, exceto para aquelas de famílias mais abastadas e sendo os estudos ligados à educação, preferencialmente a doméstica, onde as escolas preparavam-nas para as atividades docentes ou do lar, como a Escola Orcina da Fonseca que formava costureiras e o Instituto de Educação, que formava professoras primárias no Estado do Rio de Janeiro.

            O tempo passou, veio à invenção da pílula – a conhecida anticoncepcional -, que em muito facilitou a vida das mulheres, porem, apesar do avanço, é muito criticada ainda hoje por alguns segmentos mais conservadores da sociedade, notadamente a Igreja Católica. Aboliu-se a ditadura do soutien, criaram-se delegacias especializadas no atendimento às mulheres vítimas da violência, promulgou-se a Lei Maria da Penha, um avanço, apesar de tardia.

            Decerto que muito ainda há para se fazer, mas já é possível encontrarmos mulheres desempenhando funções as mais diversas e que antes só eram permitidas aos homens, como por exemplo, Presidentes da República e Ministro do Supremo Tribunal Federal, este último, desempenhado aqui mesmo no Brasil, pela doutora Ellen Gracie, primeira mulher a ocupar o cargo de Ministra da mais alta Corte brasileira. Pode-se afirmar que a mulher hoje em dia ocupa quase todos os cargos e funções que antes  eram “próprios” dos  homens, e com um detalhe a mais: com muito mais charme e elegância.

             Em Bom Jesus do Itabapoana, cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro com pouco mais de 30.000 habitantes, é possível encontrar mulheres desempenhando papéis os mais diversos, a começar pela chefe do Executivo, passando por uma juíza de Direito, promotoras de Justiça, oficiais de Justiça, advogadas, professoras, diretoras de colégios – diga-se de passagem, são maioria em Bom Jesus –, bem como gerentes de bancos, administradoras, médicas, etc. e sabemos que essa não é uma prerrogativa apenas dessa cidade, mas sim uma característica mundial, excetuando-se os países muçulmanos e alguns que ainda permanecem com uma mentalidade retrógrada em relação ao tema, como é o caso de Cuba, Venezuela, China, Rússia dentre outros.

             Não poderia deixar de citar as outras funções que são desempenhadas com muita maestria e competência por essas maravilhosas mulheres, tais como as cabeleireiras, manicures, domésticas, pedreiras, serventes, faxineiras, garis, motoristas, garçonetes, seguranças, frentistas, atendentes, recepcionistas, secretárias, auxiliares de escritório, vendedoras e várias outras, e que não perdem nada em relação aos demais cargos que exigem especialização acadêmica, ao contrário, encontram-se em pé de igualdade em relação à importância das outras funções, mas que devido à natureza, necessitam de uma escolarização maior, e que por conseguinte afeta o salário, essa é a única diferença entre elas.

            Nesse dia em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, dedico às mulheres de todo o mundo, em especial às brasileiras, essa singela homenagem acompanhada de um pedido formal de desculpas pelas várias injustiças que por nós, homens, foram cometidos contra vocês, bem como, torço para que cada vez mais, novas e significativas conquistas venham se somar as já existentes

            A todas as Marcellas, Thaíssas, Rosinéias, Leilas, Ângelas, Marias, Nízias, Fernandas, Carlas, Josetes, Juremas, Clotildes, Clarices, Eduardas, Margaretes, Marcias, Sandras, Júcias, Sidelmas, Iaras, Aparecidas, Albas, Grazieles, Edilaines, Isauras, Paulas, Solanges, Fabianas, Alessandras, Mônicas, Kellys, Amandas, Fátimas, Penélopes, Ritas, Mayaras, Robertas, Marilaines, Luizas, Íris, Virgínias, Alines, Letícias, Ludmilas, Marinetes, Cláudias, Cristianes, Renys, Carolinas, Dagmares, Margaridas, Julianas, Elisas, Fabíolas, Brancas, Anas, Palomas,  Cristinas, Cristianes, Paolas, Lucienes, Gabrielas, Nilvas, Silvanas, Alices, Goretes, Patrícias, Laras, Hosanas, Marianas, Nayaras, Sheilas, Iracélias, Marinas, Renatas, Vivianes, Rúbias, Tânias, Hanieres, Isabelas, Isabeles, Naires, Franciscas, Francieles, Mirellas, Jaquelines, Graças, Roses, Anas, Rebecas, Vanessas, Lias, Grishnas, Antonias, Josefas,  Josianes, Rosianes, Roseanes, Geórgias, Betinas, Luanas, Fátimas, Vitórias, Antonias, Olgas, Iracemas, Janes, Lidetes, Elaines, Danilas, Dalilas, Ericas, Leonas, Lourdes, Lucianas, Luzias, Maristelas, Estelas, Carmens, Marlenes, Martas, Michelines, Nancys, Lenas, Selmas, Verônicas, Isauras, Andressas e tantas outras que por mera falta de espaço não foram citadas, o meu muito obrigado e minhas sinceras desculpas pelos vários erros cometidos contra vocês durante a história da humanidade.

 

            A luta continua!

 

 

 

                                   Marcelo Adriano Nunes de Jesus.

 

 

Marcelo Adriano Nunes de Jesus.

Professor da Rede Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro . C.E. Marcílio Dias.

Mestrando em História (trancado)

Universidade Severino Sombra (Vassouras - RJ ).

Pós-graduado em História do Brasil

Universidade Cândido Mendes. ( Rio de Janeiro)

Graduado em História Licenciatura Plena

Faculdades Integradas Simonsen. (Rio de Janeiro).

Graduando em Direito (trancado)

Universidade de Iguaçu. ( Itaperuna)

E-mail: profmarceloadriano@gmail.com

                

9 comentários:

  1. Além de ser uma homenagem, meu pai dá uma aula de história. Desde muito tempo, até o século XXI... para explicar como as mulheres foram descreminadas por tantos os anos. Além do ser o dia da mulher, eu o parabenizo, papai... pelos maravilhoso textos, sua arte de escrever é um ensino que levarei pro resto da vida. Tenho muito orgulho do senhor, papai. De sua filha, Thaíssa.

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  2. lindo o texto adoreeeiiii mesmoooo..
    PARABENS para todas nos..rsrsrsrs
    abraco

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  3. RETIFICAÇÂO: aonde se lê "descreminadas", leia-se discriminadas e dia do ser da mulher, leia-se Dia Internacional da Mulher.

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  4. Pai muito obrigado pela homenagem.O senhor é o melhor pai do mundo,por mais que seja homem,elógio muito as mulheres.
    Obrigado de novo ♥ te amo

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  5. JUCIARA:
    Vi e gostei!
    Beijinhos,tudo de bom!

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  6. Caro Marcelo,
    Recebi e li a mensagem do Dia das Mulheres. Gostei muito. Parabéns!!!
    Um abraço,
    Marlucia Peres.

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  7. E isso aí meu caro. Em um País machista como o nosso é cada vez mais raro encontrarmos homens sensíveis como você. Hoje a sua porção mulher está aflorada, sobressaindo-se em muito ao machão...rss.
    Um grande abraço e continue inspirado assim.

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  8. Grande, Chico...Um comentário desses, só poderia estar à altura de um grande intelectual como você. Abraços, meu irmão.

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  9. Márcia Paulista15 de maio de 2009 16:02

    Lindo texto, caro professor! Olha, você ainda falou pouco sobre nós. Gostaria de falar sobre a grande influência que a mulher exerce no seu lar, com seus filhos, seu marido... O jogo de cintura que ela tem para lidar com situações extremamente delicadas e sair ilesa dos conflitos e salvando a todos! Ufa! É uma habilidade que penso que Deus só deu às mulheres. Mas tem uma coisa: Se esse perfil se for negativo, ai, ai, ai... Ela com certeza levará a família para o brejo! Finalizando: Dizem que a cabeça da família é o homem, e a mulher é o pescoço porque leva a cabeça onde quer. Rsrsrs...

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