domingo, 13 de dezembro de 2009

ENDURECER, MAS SEM PERDER A TERNURA

Talvez este seja o texto mais difícil o qual o me debrucei para escrever. Por outro lado, sempre nutri a ideia de que aprendo muito mais do que ensino. Esse é o meu ofício: aprender. Com isso em mente, no dia 11 de dezembro recebi um convite para participar das festas de confraternização da Polícia Civil da microrregião sul do Espírito Santo que aconteceria no dia seguinte. O surpreendente, é que não era para eu fazer a cobertura jornalística do evento, mas sim, participar como convidado.

Ao chegar ao local da festa, muita alegria, descontração e um clima familiar que muito me lembrou as festas em família. Em nada aquele dia me lembrou os eventos engessados e recheados de protocolos os quais já participei durante a minha vida. Ao contrário, eu estava muito feliz em estar ali. Aquela festa pra mim foi um belo presente. Homens e mulheres que dela participavam brindaram-me com aquela sensação maravilhosa que é estar em família. Conheci pessoas as quais meu pobre português não encontra adjetivos para definir, mas que na ausência deles, utilizar-me-ei de uma expressão que talvez se aproxime, mas que certamente não os definem: anjos. Anjos bons.

Homens, que nos protegem e nos guardam dos homens maus. Homens, que muitas vezes deixam a segurança do seu lar para se arriscar exatamente para que tenhamos dias e noites tranquilas. Homens que não medem esforços no cumprimento de seus deveres, os quais vão muito além de suas obrigações. Homens tão mal compreendidos, às vezes, pela própria família, e mais ainda pela sociedade. Homens brilhantes, que com parcos recursos conseguem fazer da polícia brasileira uma das melhores do mundo em termos de inteligência policial. Homens que se emocionam ante uma ocorrência que foge à capacidade humana entender do porquê de tanta maldade. Homens que são pais de todos nós, e foi assim que me senti ontem: protegido, amado e guardado por cada um deles. Homens que merecem toda a nossa reverência e respeito. Ontem, sem eu pedir, minha filha pediu abenção a eles em nossa despedida, talvez por também ter sentido a mesma sensação que eu. Homens... Verdadeiros homens, que não se vendem por dinheiro sujo, e que, não raro, não têm 10 reais no bolso, isso porque nenhum governo na história do Brasil valorizou a polícia, ao contrário, tudo de ruim que acontece em sociedade é culpa dela, com isso, o governadores correm para tv’s e rádios para justificar assim, a sua incompetência e despreparo na elaboração de projetos que passem pela valorização dos bons policiais.

Bom Jesus do Norte no sul do Espírito Santo tem 100% dos crimes elucidados e seus autores presos ou processados, mas isso ninguém noticia, pois não dá IBOPE, e esse é resultado do empenho, das noites mal dormidas ou não dormidas, dos dias fora de casa, da distância de suas mulheres e filhos e tantos outros inconvenientes que se impõem àqueles que seguem esse ofício.

Obrigado, muito obrigado a cada um de vocês, que apesar de tantas maldades que são construídas em torno da instituição que vocês representam, sem ela, a vida em sociedade seria impossível. Obrigado pelos dias tranquilos que desfrutamos graças aos seus incansáveis trabalhos. Obrigado, doutor Ricarte, doutor João Marcos, doutor Francisco, investigadores Cláudio, Marcão, Pedrinho, Isaac, Zanon, escrivão Toninho Gualhano e todos os demais membros da delegacia de Bom Jesus do Norte.

Dessa vez não vou terminar o texto dizendo “finalizando”, isso porque, estou iniciando, sim iniciando uma história. Hoje, meu queridos, sinto-me amparado por essa família que vocês representam. Desculpem-me, mas é assim que me sinto. Aprendi e muito com vocês nesses momentos em que desfrutamos daquela festa maravilhosa e que nunca vou esquecer. Gostaria de ter o dom para expressar tudo àquilo que meu coração está sentindo, mas aprendi com o poeta que tem coisas que fogem totalmente à nossa vã capacidade de entendimento, e realmente, prefiro continuar sentindo essa sensação maravilhosa que é de pertencimento à uma família, do que buscar termos para defini-la.

Feliz Natal e um 2010 que vá além das suas expectativas, e aqui, tenho certeza, A LUTA CONTINUARÁ.

Muito obrigado.

Marcelo Adriano Nunes de Jesus

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