domingo, 5 de junho de 2011

O RIO MANCHADO DE VERMELHO Marcelo Adriano Nunes de Jesus.

Falar aqui do descaso do governo estadual em relação ao funcionalismo público e em particular daqueles que representam à “arraia-miúda” das diversas instituições de Estado seria redundante se em análise estive a forma de governar do senhor Sérgio Cabral e seu “staff”, o que não é o caso.
Mas não podemos deixar de mencionar que nenhuma oposição a seu governo é tolerada. Às chefias e comandos são dadas generosas gratificações para que mantenham a disciplina de seus subordinados para que estes não se rebelem contra os péssimos salários que recebem, mas aos que insistem em se opor, ou perdem a chefia e comando ou ainda correm o risco de responderem a inquéritos policiais, administrativos ou ambos. Essa é a forma de governar de Sérgio Cabral. A corrupção e o medo.
A título de ilustração, e que poucos sabem, é que na Alemanha Nazista cerca de 90% da população daquele país apoiava as atitudes de seu representante mor. Hoje se sabe que tal sucesso tinha por trás a propaganda de governo, assim como acontece no Rio de Janeiro de hoje, onde o PMDB de Cabral tem a seu lado as Organizações Globo que só veicula aquilo que é do seu interesse, ato bem característico dos sistemas fascistas de outrora, mas que nunca foram tão atuais em certos governos.
Aqui, os traficantes de drogas são avisados com antecedência das incursões policiais que objetivam a criação das Unidades de Polícia Pacificadora, as chamadas UPP’s. Desta feita, os marginais conseguem deixar seus esconderijos levando suas armas e drogas em total segurança.
Por outro lado, as coisas realmente relevantes e que deveriam ser levadas ao conhecimento público não o são por essa mesma mídia, como as péssimas condições de trabalho e salários dos servidores públicos, da má administração pública e de pessoas que deveriam estar na cadeia, e não chefiando pessoas.
Que a natureza e importância do trabalho dos bombeiros dispensa maiores comentários disso todos sabem e têm consciência. Mas infelizmente esses bravos combatentes foram abandonados à própria sorte pelo Estado. Além de covardemente agredidos, foram presos e humilhados como se marginais da mais alta periculosidade os fossem. Eram apenas pais e mães de família em busca da dignidade que lhes foi roubada.
Os bombeiros militares foram a única categoria que demonstrou organização e consciência de classe para se opor e enfrentar pacificamente o governo Sérgio Cabral. Não é à toa que carregam a marca de “herois” e destemidos, mas infelizmente foram recebidos à porrada pelo governo Sérgio Cabral.
Não vou aqui crucificar a Polícia Militar, pois bem sei de quão valorosa ela é, mas não posso deixar de consignar a covardia, a truculência e a maldade de um tal Coronel Milagres e alguns integrantes do Bope. Esse sujeito deveria ser processado na mais última instância da justiça por abuso de autoridade. Ademais, é um covarde e medroso, pois enquanto estava atrás da sua tropa – o BPChoque -, utilizou-se de spray de pimenta para lançar nos bombeiros que estavam sentados à sua frente e sem esboçar qualquer reação contra os policiais que faziam suas guardas. Foi uma agressão gratuita do comandante.
Agir dessa forma é fácil, coronel Milagres. Mas por que o senhor correu quando apenas um combatente foi em sua direção? A televisão mostrou a imagem. Ficou com medinho de apanhar? Onde está a sua valentia? A meu ver, coronel, um senhor é um covarde e um medroso, que só se sente homem e valente quando está com a sua tropa. Não me surpreenderia em saber que o senhor nunca tenha trocado tiros com vagabundos. O senhor tem o perfil de coronel de gabinete, que só sai às ruas para participar de fiscalizações da Lei Seca. Graças a Deus o senhor não representa a Polícia Militar, a qual possuo muitos amigos, desde soldados a coronéis, mas nenhum seguramente com o seu perfil. Mas não vou aqui perder meu tempo falando de uma pessoa tão desprezível quanto o senhor, isso eu deixo para a imprensa marrom. Meu objetivo aqui é infinitamente o seu oposto e o que o senhor representa enquanto ser humano.
O momento agora é de solidariedade. Liberdade ampla e irrestrita aos bombeiros militares presos. Chega de demagogia, Sérgio Cabral. Coloque professores bem remunerados nas salas de aula, remunere dignamente bombeiros, policiais e profissionais de saúde. O Rio de Janeiro não merece tanto descaso. Todos à rua em apoio aos bombeiros militares!!!

A luta continua

2 comentários:

  1. Por que o ato dos bombeiros cria um precedente perigoso

    Os bombeiros assim como qualquer categoria têm o direito de pedir melhoria salarial, ocorre que por servirem junto com a PM, sob regime militar, lhes é vetado o direto à greve. Nos últimos dias o que tenho visto no Rio é um circo. Uma categoria que vem sendo “doutrinada” por políticos faz meses, chega ao ponto de rasgar sua lei militar, invadir um quartel, ocupar e inutilizar viaturas.
    Ora, isso é inadmissível em um estado de direito. Imaginemos se médicos decidem fazer greve, invadir hospitais, furar pneu das ambulâncias e trancar as portas; E se um dia policiais em greve ocuparem os presídios e ameaçarem soltar os presos? Não obstante, teríamos ainda a possibilidade de Soldados do exército em greve, colocarem tanques para obstruir vias. Pergunto: Onde a sociedade vai parar? É esse o precedente que a sociedade deseja abrir com os bombeiros?
    Para que não corramos esse risco há uma legislação militar que rege as FFA, Bombeiros e a PM. Independente de qualquer pleito salarial, ela tem de ser respeitada. No momento em que a sociedade permitir que essa lei seja ignorada, estará pondo em risco sua própria ordem.

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  2. Marcelo, que bom encontrar análises sensatas como as suas acerca da questão envolvendo os bombeiros militares e na qual penso que posso contribuir enriquecendo com alguns detalhes, inclusive para o leitor Carlos que desconhece fatos importantes nesse processo.
    “rasgar sua lei militar”
    É precipitado dizer que os bombeiros rasgaram sua lei militar. Na condição de Oficial Assistente Social do CBMERJ, na qual atendo todos os dias as mazelas pelas quais passam esses homens e suas famílias, posso dar garantias de que qualquer legislação que tenha sido rasgada o foi pelo Sr. Sérgio Cabral faz muito tempo. Agora para se ter uma noção, os militares receberam uma gratificação de 350,00, mas perdem a mesma se necessitarem de qualquer afastamento para tratamento de saúde seu ou de seus dependentes. O que tenho visto são bombeiros optando entre cuidar do filho com câncer e perder sua rica gratificação ou passar todos os apertos por esse pouco, mas importante dinheiro a mais. E pergunto a quem afirma que rasgaram as Leis Militares: onde bombeiros militares descumpriram seus Estatutos? Entrando em um quartel cujo próprio Estatuto lhe faculta entrada livre e permanência? Se houve algo de errado esse algo se deu porque os portões estavam fechados como permanecem há muito tempo.
    “inutilizar viaturas”
    Os bombeiros não inutilizaram viaturas como a toda poderosa globo quis reforçar em suas imagens. Aquela sinuca que foi um show no horário das 20h da rede globo está no Quartel Central intacta e apenas foi virada para conter a fúria do BOPE. A viatura da qual foi retirado um bombeiro militar e que a toda poderosa fez questão de exibir mil vezes até cansar o telespectador, era uma escada magirus de 25 andares (a maior da América Latina por sinal). Alguém explica onde naquele momento ela prestaria socorro no Rio de Janeiro? Onde precisaríamos de uma escada de 25 andares? Digam por gentileza! Uma farsa bem armada pelo Sr Sérgio Cabral Filho. O mais interessante é que não se fala mais no assunto, ninguém está questionando o exame de balística após o confronto onde todas as munições partiram do armamento utilizado pelo BOPE.
    O que é inadmissível Carlos, com todo respeito, é ver colegas mortos como na região serrana e sentir-se inútil para garantir melhores condições de vida ao menos para suas esposas e filhos que ficam com uma pensão minguada e ridícula. O que é inadmissível é o filho que morreu durante a invasão do Quartel Central enquanto a mãe abortava em meios aos tiros do BOPE. E aprendemos com a história que quando a vida é assim banalizada o resto todo é possível e admissível.

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